
FOCUS TRIBUTE HOMEPAGE – 30 ANOS
(To the english version)

Elvis nunca entrou em nossa casa -
Meu pai tinha os “discos de gente grande”. Basicamente, sua coleção era composta
de LPs de música popular brasileira, seguidos de muita coisa de música clássica
e alguma coisa de jazz. O problema é que “Rock” não entrava em casa. Meu pai não
era apreciador do gênero e lembro dele dizendo por diversas vezes coisas não
muito favoráveis ao Elvis Presley.
Quando comecei a “escolher” a minha própria música,
foi do gênero discoteque, uma febre naquela segunda metade dos anos 70. Escolha
essa influenciada pela TV e amigos da época. Vejam que eu ainda estava longe de
ter contato com o rock de verdade!
Meu pai virou rockeiro? - Uma certa
tarde meu pai apareceu em casa com uma coletânea de... Rock! Ora, ora, o que
será que aconteceu com ele? Nada de mais – aquilo era um presente para um colega
da firma, talvez outro apreciador de música brasileira ou clássica, e
provavelmente este presente fazia parte de alguma brincadeira do pessoal do
escritório. Acontece que coloquei aquele LP para tocar e acabei eu mesmo
gravando em fita cassete duas das músicas. Lembro que eram "Roll Back the
Water", de Bachman Turner Overdrive, e "Mamma Mia", de Left Side – essa última,
por coincidência, uma banda holandesa! Este foi meu primeiro contato com o rock
de verdade.

Em 1980 mudamos de casa. Finalmente saímos do aluguel
e fomos para a tão sonhada casa própria que meu pai lutou por anos para
conseguir construir. Já em nossa casa, numa bela tarde, ele chegou trazendo
consigo uma nova aparelhagem de som, talvez para comemorar a conquista de seu
novo imóvel. E quem mais usava este equipamento era eu — e uso até hoje!
Eu vivia grudado nos programas de rádio — a internet
da época — principalmente nos programas alternativos. E, claro, gravei muita
coisa em fitas cassete, pois ainda não tinha meu próprio dinheiro para poder
comprar meus discos.
Para não me alongar muito aqui, pretendo em breve
escrever um outro texto sobre este período, contendo tudo que conheci nas rádios
daquela época.

Alguns dos compactos infantis da época
Tropecei na pedra fundamental Hocus-Pocus -
Numa manhã de sábado, ainda em 1980, como era de costume, saímos do subúrbio e
voltamos ao supermercado no qual costumávamos comprar antes de mudarmos. Meus
pais foram fazer as compras, mas naquele dia eu resolvi ficar dentro do carro,
no estacionamento, ouvindo a rádio. E foi neste dia que ouvi a música do Focus
pela primeira vez! Sim, era Hocus-Pocus. Não preciso falar que fiquei
maravilhado. E, por causa do meu ainda grande desconhecimento musical, pensei
comigo: “— Essa banda vai fazer sucesso!” Mal sabia eu que a banda nem existia
mais.
Portanto, dá para imaginar quanta coisa boa perdi nos
anos 70, ou por ser jovem demais, ou pelo 'apartheid' musical que havia em minha
casa... Fato esse que foi reparado nos anos seguintes. Simplesmente passei o
restante da década de 80 enfiado em sebos, colecionando tudo de Focus que
encontrava, e de Rock Progressivo em geral.

NO COMEÇO, A ESCURIDÃO
Era o ano de 1995. Ainda não haviam smartphones,
Android, Google, Facebook, Instagram, E-Bay ou Amazon. Nem DVDs. Arquivos MP3
ainda ninguém conhecia. As pessoas ainda estavam apaixonadas pela novidade dos
CDs e relançamentos em formato digital de seus queridos discos de vinil dos anos
60, 70 e 80. Para assistir a um filme ou desenho animado, alugava-se uma fita de
vídeo-cassete na locadora Blockbuster ou em alguma outra do bairro. Havia uma
grande demanda por CDs e vídeos, e milhares de lojas foram abertas pelo país,
competindo com a venda destes produtos pelas grandes redes de supermercados.
O primeiro PC a gente nunca esquece -
Foi neste contexto que adquirimos nosso primeiro computador, um IBM multimídia,
monitor de 14 polegadas, placa de Fax-Modem de 14,4 kbps, leitor de CD e caixas
acústicas. Os Apple computers eram muito caros em meu país e praticamente só as
empresas os possuíam.
O combo adquirido ainda possuía, além do PC, a
impressora ink-jet 850c e um scanner de mesa gigante, o modelo 4c, os dois da
marca HP. Esses equipamentos haviam sido recém-lançados no mercado, portanto foi
um enorme investimento na época, em termos de dinheiro. Para realizá-lo, meu pai
passou meses pesquisando e guardando recortes de jornal em uma pastinha de
elástico, com reportagens e anúncios sobre computadores e ofertas de
equipamentos. Tudo recortado dos classificados do jornal.
Lembro que o tempo na frente da tela era disputado
ferozmente entre eu, meu irmão e minha mãe. Meu pai, apesar de ter sido a pessoa
que comprou o equipamento, era o que menos se interessava em usá-lo. Eu via que
ele tinha muita dificuldade em usar o mouse, e talvez isto o desencorajou.
Confesso que, antes disto, nunca havia me interessado
por computadores e seus sistemas operacionais complicados de operar. Então me
apaixonei pelo Windows 3.1 e seu ambiente gráfico. Era incrível para mim a forma
de acessar e organizar os arquivos em pastas, e mesmo o fato de poder escrever
um texto, digitando sem aquele medo de errar, como era antes com as máquinas de
datilografia.

Não digitarás em vão - Peguei o
manual do Windows 3.1 que veio junto com o PC, e aquilo virou minha Bíblia.
Dormia e acordava lendo e decorando tudo. Aprendi cada detalhe do sistema
operacional e programas nativos. Dali para começar a mexer com hardware foi um
pulo. Comecei a realizar pequenos upgrades, substituindo eu mesmo o Winchester
(como eram chamados os HDs na época) e memórias RAM.
Na empresa para a qual eu trabalhava, uma editora de
revistas, a QD, já havia um computador para o meu setor, mas não era eu quem
operava. Então o fato de agora ter meu próprio PC significava que eu teria a
mesma estrutura de uma empresa para continuar produzindo meu trabalho – só que
agora no conforto de casa, coisa que acontece até nos dias de hoje.
Agora você já tem internet! - Assim
passaram-se as semanas daquela virada de ano 1995/1996, entre aprender a usar
programas como o Corel-Draw e Page-Maker, e madrugadas sem fim jogando DOOM e
Heretic. Numa tarde por volta de meados de 1996, eu visitava um grande amigo do
tempo de colégio, o Ricardo.
Ele virou para mim e fez uma afirmação inusitada: “—
Agora você já tem internet!”. Então me entregou um disquete flexível de 3,5
polegadas — aqueles nos quais cabia a enorme quantidade de 1,44 MB de arquivos —
e, junto, preso com elástico, um papel dobrado. Eram as instruções, senhas e
programas necessários para 'instalar' a tal da internet no computador. Os
programas eram o Trumpet Winsock para conexão e o Navegador Netscape Navigator
1.1 para navegar. A operadora seria a Associação Paulista de
Cirurgiões-Dentistas (APCD), da qual o pai dele fazia parte.

FAÇA-SE A LUZ.
A coisa toda funcionou sem problemas, e logo ouvimos o computador emitir aquele
estranho barulho típico de uma placa de modem se conectando a uma linha
telefônica. A partir dali tivemos a pequena noção do que depois se tornaria toda
uma experiência de vida conectada.
Peregrinação - Logicamente, nada se
parecia com o que temos hoje. Redes sociais eram as “BBS”, com tela preta e
apenas texto, sem imagens. Lá, podíamos baixar arquivos, jogar, trocar mensagens
e ler notícias em fóruns de texto. Não demorou muito, a minha casa se
transformou na 'Meca' para uma peregrinação de amigos, que iam lá todas as
noites conhecer e tentar entender aquela tal de internet, que todo mundo ouvia
falar, mas ninguém sabia o que era.
Na época, até a trama central de uma popular novela da
TV local – “Explode Coração” – girava em torno da internet, o que ajudou a
atiçar a curiosidade de um enorme público que nunca nem havia usado um
computador.
Caixa de Pandora - A internet em
versão comercial em meu país começou em 1996, graças ao ministro das
Comunicações da época, Sérgio Motta, que decidiu que ela seria acessível ao
público em geral, em vez de ser exclusiva dos meios acadêmicos.
Hoje soa como um absurdo que o governo cogitasse
manter a internet em ambiente restrito, mas, naquela época, este pensamento
soava aceitável. Dá para ter uma boa noção de como evoluímos, apesar de eu notar
que hoje em dia vários países pelo mundo se esforçam para tentar controlar a
internet, essa caixa de Pandora que eles abriram!

O movimento está parado - O primeiro
portal de notícias aqui, UOL, havia começado a operar alguns meses antes, em
abril de 1996. Não existia ainda a figura do “webmaster”. Os sites que existiam
não possuíam muita interação. Eram, no geral, de produção amadora e estáticos,
ou com alguma imagem GIF para dar movimento. Vídeos, nem pensar, jamais rodariam
numa conexão via linha telefônica de 14,4 kbps. Mesmo assim, estes sites
causavam enorme interesse na gente, pois até então toda informação que
obtínhamos era por meio de livros, revistas, da TV ou rádio.
Todos estavam ávidos em acessar para buscarem os mais
variados assuntos de seu interesse: política, artes, curiosidades em geral e até
sexo. Da minha parte, louco por música que sou, fui logo procurando pelos
artistas que gostava: Focus, Gentle Giant, Van Der Graaf, Santana, Mahavishnu,
Jethro Tull, PFM, Frank Zappa, etc. Mas confesso que fiquei um pouco
decepcionado ao não encontrar muita coisa referente à minha banda preferida, o
Focus...
E TUDO COMEÇOU COM UM MOUSE... E UM
BLOCO-DE-NOTAS
Num final de semana, fui visitar um conhecido meu,
Alexandre Fejes Neto, pessoa envolvida com o mundo da computação, que havia sido
editor da filial da Revista PC Magazine em meu país, e até apresentado um
programa sobre informática, o Clip Informática, na Rádio USP-FM, da universidade pública local.
Rádio
para surdos - Ele havia criado o primeiro programa de rádio
para surdos - Computador FM, transmitindo dados por meio das ondas sonoras, que eram
decodificados pela placa de som do PC do “ouvinte” através de um
software, e se transformavam em informação visual na tela do computador,
fazendo com que a pessoa — mesmo sendo surda — pudesse receber essas
informações via ondas de rádio. Chegou a ganhar um prêmio por isto.
Ao perceber todo meu entusiasmo com os
primeiros acessos à rede e com aquela novidade toda, ele disparou: “—
Por que você não cria um website?”. Aquela pergunta me pegou de
surpresa. Eu pensei comigo: "Será que ele pensa que eu sou um gênio da
informática?" Então respondi que não tinha ideia de como fazer. É
simples — disse ele — você cria uma página HTML usando o Bloco-de-notas
(editor de textos básico nativo do Windows).
Voltei para casa com aquilo na cabeça. Lógico
que eu poderia pesquisar na própria rede como fazer isto, mas, por
coincidência, eu tinha uma revista com um artigo ensinando os comandos
básicos dos códigos HTML. Não perdi tempo, dei uma lida rápida, sentei
na frente do computador e, em alguns minutos, havia criado minha
primeira página de internet, usando o programa Bloco-de-notas. A página
tinha minha foto no centro e um texto qualquer. Funcionou!! – pensei
comigo.

Alexandre Fejes Neto
"PERCHÉ NON PARLI?!", DIRIA MICHELANGELO
A partir deste dia, todo meu foco seria construir um
site de internet digno do Focus (desculpem o trocadilho). Usando o scanner de
mesa da HP, fui digitalizando meus LPs da banda. Coletei toda informação que eu
possuía sobre ela até o momento. A principal delas era a biografia do Focus, que
havia sido publicada no livro “Rock Progressivo” de Valdir Montanari, a primeira
grande obra sobre o tema publicada em meu país em 1985.
Sinergia - Anos depois, quando o
Focus lançou seu próprio site na internet, o mesmo texto do Montanari foi usado
como biografia oficial da banda, o que deixou o autor muito orgulhoso, conforme
o próprio me relatou. Vale mencionar que Montanari nos anos 80 apresentava um
programa de rock progressivo na rádio da universidade pública de São Paulo – o Sinergia –
que depois foi transmitido pela 97 FM. Harem-Scarem, do Focus, era uma das músicas-tema do programa.
Clique nos Botões abaixo para ouvir um trecho do Programa
SINERGIA que foi ao ar em 25 de Maio de 1987 pela 97 FM:
Entre agosto e outubro de 1996, trabalhei
incansavelmente nos arquivos HTML e imagens que viriam a formar o site do Focus.
Então, em 5 de novembro de 1996, após várias semanas, a FOCUS TRIBUTE
HOMEPAGE veio ao ar, hospedada no Geocities, serviço de hospedagem
gratuita que ficou muito famoso na época. Ficaria assim por muitos anos, até o
serviço ser suspenso, o que fez com que eu transferisse o site para um endereço
próprio.
Perto do que é hoje, o site não continha muita
informação, mas com certeza era o melhor que existia na época. Lembro até de um
webmaster de um outro site do Focus me dizer: “— Parece-me que você está mais
empenhado do que eu em ter um site do Focus!” Sim, eu estava muito entusiasmado
com o projeto, e sempre que havia oportunidade e algum computador por perto, eu
aproveitava para divulgar minha obra-prima. Eu sempre pesquisava novos recursos
na linguagem HTML para incrementar o visual e navegabilidade do site, e cada dia
que passava alguma novidade poderia ser notada nas páginas.

O livro Rock Progressivo, de Valdir Montanari.
Sua biografia do Focus foi usada no Site Oficial da Banda.
Você tem site? - Uma tarde fui até a
Editora QD, para a qual eu trabalhava (e trabalho). O diretor, Luciano, veio
todo entusiasmado contar uma novidade para mim: A empresa agora possuía seu site
na internet! Após ele acessar e navegar por todas as páginas, perguntou se eu
havia gostado. Maravilha, exclamei. Ficou muito legal. Aproveitei o ensejo e
sugeri: “— E você não gostaria de acessar o meu site?”. Com cara de espanto, ele
me perguntou: “— Mas você também tem site?”. Respondi que não era bem o meu
site, mas um que eu havia construído para uma banda holandesa, o Focus.
Lembro que ele ficou tão impressionado que, após
navegar por várias páginas, virou para mim e me disse: “— Se eu soubesse que
você fazia sites assim, teria passado o da editora para você fazer!”. Lógico que
aquilo foi mais que um elogio, e serviu de estímulo para eu continuar naquela
empreitada.
Por várias razões, acabei eu mesmo produzindo sites
para várias empresas na virada do milênio (sem 'bugs'). Mas isto já é outra
história que pretendo escrever em breve.

HOLLYWOOD PROCURA THIJS VAN LEER
O que eu não imaginava era a repercussão que aquilo
começaria a ter. Como havia muita demanda por informação e poucos sites, logo no
mesmo mês de novembro de 1996, pessoas do mundo todo começaram a entrar em
contato comigo, a maioria para saber onde encontrar os CDs do Focus, ou de Thijs
Van Leer.
Um e-mail que vale citar aqui foi de Mark Mancina, que
se apresentava como produtor musical de filmes de Hollywood. E era ele mesmo!
Entre suas obras estavam trilhas sonoras para vários filmes e animações.
Transcrevo abaixo seu e-mail:
“10/dez/97 Rodrigo: My name is
Mark Mancina and I am a film composer (Speed, Twister, Conair) and record
producer (ELP and YES). I can't find any of the Van Leer Introspection cds
anywhere here in the states. Do you know where I could order them? I'd really
appreciate your help. thanks Mark Mancina”
Até então, sites como Amazon e eBay estavam ainda
começando e realmente era um tanto difícil encontrar CDs à venda na internet.
Aquele e-mail foi a prova definitiva para mim de que meu site estava sendo
acessado pelo mundo inteiro. E se Hollywood está de olho, o resto do mundo
também está. Fenomenal!

SABIA QUE O FOCUS VOLTOU?
Durante todas estas décadas em que o site do Focus
está on-line, recebi muita ajuda inestimável de vários fãs colaboradores. Não
poderia citar um a um, pois é muita gente do mundo todo: Inglaterra, Holanda,
Dinamarca, Austrália, Estados Unidos, Brasil, Espanha, Japão, Argentina, Rússia,
França, Portugal, etc.
O Exército do Focus - Dentre eles,
preciso destacar o Peet Johnson, da Austrália, que escreveu a excelente e mais
completa biografia do Focus (cito isto logo mais adiante neste texto), o Steffen
Staugaard, músico talentoso e, sem dúvidas, o maior fã do Focus da Dinamarca.
Também Bert Monster, Irene Heinicke e Jan Van Beek, todos fãs holandeses do
Focus, e este último o fundador do fã-clube oficial da banda nos anos 70, a FFA
- Focus Fan Association.

O primeiro layout do Site do Focus (1996)
Tim Baugh - Entre os mais importantes
e-mails que recebi por meio do site do Focus, e faço questão de mencionar aqui,
foi o de Timothy Baugh, acho que o maior fã do Focus que conheci até hoje.
Preciso fazer uma menção honrosa ao Tim, por ele ter sido um dos primeiros a me
procurar e por sua enorme dedicação em contribuir com o site, enviando-me quase
tudo que possuía de seus arquivos pessoais.
Seu primeiro contato eu transcrevo abaixo:
“18/abr/97. Did you know that
Focus have reformed with Thijs van Leer, Bert Ruiter, Hans Cleuver and Wiliam
van Dike on guitar? Let me know if you want more details. Tim Baugh, England.”
É claro que aquela informação me interessou demais!
Então o Focus iria voltar às atividades? Que grande notícia! A partir daí
comecei a trocar mensagens regulares com Tim.
Por intermédio de Tim, a versão digital da renomada
Enciclopédia Oxford manteve por um tempo um verbete com menção ao Site do Focus,
que foi motivo de muito orgulho para nós.
Infelizmente Tim não está mais aqui entre nós, mas sua
enorme ajuda pode ser conferida no site, em cada foto ou informação creditada a
ele. Talvez não tenha agradecido-lhe o suficiente, Tim, mas aproveito este texto
para que fique registrado aqui meu MUITO OBRIGADO!
Ele sempre se propôs a me ajudar com o site. E ajudou
muito! Mas demoraria ainda longos 5 anos para a nova formação do Focus se
apresentar ao vivo e começar a excursionar pelo mundo.

Jan Akkerman e Tim Baugh - Chester-UK, 27 de
julho de 1998
O Escritor de Oz - Não poderia deixar de registrar aqui também um dos fatos mais importantes destes últimos 30 anos, comemorados por meio deste texto: foi a publicação em 2013 da biografia do Focus 'Hocus Pocus: The Strife & Times Of Rock's Dutch Masters' pelo meu amigo Peet Johnson.
Peet, um dos mais entusiasmados fãs do Focus que
conheço, sempre colaborou muito com o site. De seu lar na Austrália, lançou para
o mundo uma detalhadíssima biografia da banda, cujo texto foi baseado em dezenas
de entrevistas e uma exaustiva coleta de material referente a tudo que diz
respeito ao Focus, contando inclusive com depoimentos da própria banda. Isso
tudo resultou no mais completo e fiel material publicado sobre o Focus até hoje.
Recomendo a todos a leitura desta magnífica obra-prima.

A completíssima biografia do Focus de Peet Johnson
O HEMISFÉRIO SUL EXISTE!
Sei que o Brasil era um lugar muito remoto para o resto do mundo nos anos 70.
Nada de importante acontecia aqui e vivíamos sempre em crise política e/ou
econômica (o que não mudou muito nestes últimos 50 anos). Sempre ouvi falar que
não compensava para os artistas investirem numa turnê por estas plagas; seria
muito dispendioso e cansativo.
De memória, lembro apenas de alguns artistas que se
arriscaram a isto na primeira metade dos anos 70, como David Clayton-Thomas, do
Blood Sweat and Tears (1972), Santana (1973), Alice Cooper e Miles Davis (1974),
Rick Wakeman e Jackson Five (1975).
A maioria desses que vieram estava envolvida em
grandes turnês mundiais, o que justificava o empreendimento. Mas, infelizmente,
as principais bandas de rock — e principalmente do Rock Progressivo — não
estiveram por aqui naquela época. Então ficamos sem ver Focus, Yes, PFM, Pink
Floyd, Jethro Tull, Gentle Giant, King Crimson, Camel, entre tantos outros,
quando estavam em seu auge criativo.

O segundo layout do Site do Focus (2000)
Back to the Future - Vamos voltar a
1996. Como disse anteriormente, as redes sociais ainda não existiam como são
hoje. Nem smartphones. As poucas pessoas que tinham acesso à internet
descobriram-na exclusivamente por meio de sites, que eram feitos muitas vezes de
forma amadora, mas já contendo muito conteúdo relevante. Vale destacar a
“Gibraltar Encyclopedia of Progressive Rock (GEPR)”, um trabalho muito bom,
contendo referência de todas as bandas do gênero Rock Progressivo, e que
infelizmente não existe mais.
A cada dia mais e mais pessoas acessavam sites, ávidas
por informação. O site do Focus começou a ter acessos do mundo todo, e com isso,
muita interação também, por meio de e-mails que eram publicados no próprio site
– vejam a seção “Focus On Fans”. Então muitos perceberam que era um site sobre o
Focus feito no Brasil. Ok, nada de mais nisto, pois, na época, a Akkernet, o
site oficial de Jan Akkerman, era produzido na Inglaterra, por um inglês. Esse
sempre foi o espírito da internet, não ter fronteiras.
Estradas Incas -
Mas nem todo mundo conhecia o Focus. Penso que esta
questão de conhecer ou não um artista também é uma questão geracional. Por
exemplo, lembro de um episódio contado a mim por um saudoso amigo da família, o
Fernando, muito fã do Focus também. No final dos anos 90, ele estava visitando
as famosas ruínas de Machu-Picchu, no Peru, e se deparou com um grupo de jovens
holandeses. Então foi tentar começar uma interação com o grupo, e foi logo
dizendo: “— Sou muito fã da banda holandesa Focus!” Na verdade, esta frase
acabou causando efeito contrário nos jovens. A estranheza no olhar era geral.
Nenhum deles nunca havia ouvido falar da banda Focus.

Contei esta história pessoalmente para o Thijs Van
Leer e percebi que ele ficou por um pouco decepcionado com estes novos “fãs”
holandeses... Estava claro que já era a hora do Focus voltar à vida
e ser conhecido por toda uma nova geração, que também tinha todo o direito de
apreciar a fina arte destes músicos incríveis.

Então o Brasil conhece o Focus? -
Sim, conhece sim. Igual ao resto do mundo, também aqui “Hocus-Pocus” foi tocada
bastante nas rádios nos anos 70. Todos os seus álbuns foram lançados aqui pela
Polygram. Não é de espantar que esta informação sobre o site tenha chegado aos
ouvidos da banda, e acredito que foi essa informação – de que eles eram
conhecidos e tinham muitos fãs por aqui – a responsável pelo Focus incluir a
América do Sul quando resolveu sair em sua nova turnê mundial em 2002.
Quando Willem Hubers, o empresário do Focus na época,
me enviou a cópia de divulgação do novo álbum, Focus 8, eu fiquei muito feliz.
Nesta edição de divulgação, Willem me agradece no encarte “for keeping the
website alive”. Este encarte pode ser lido na seção de álbuns do site (Alternate
Covers). Esta foi a prova de que eles conheciam muito bem o meu trabalho!

O encarte promocional do Álbum Focus 8, com o
agradecimento pelo Site
Agora sabemos que o Focus havia retornado às atividades, e que sabia que existiam fãs da Banda no Brasil. Portanto, nas linhas a seguir vou descrever minhas experiências pessoais com as vindas da Banda ao meu país a partir de 2002, pois são fatos que vivenciei.
CRUZANDO A LINHA DO EQUADOR
Ninguém pode imaginar o meu grau de entusiasmo quando
soube que o Focus viria finalmente apresentar-se em meu país, Brasil. Então
finalmente iria acontecer o grande momento: Focus tocando suas memoráveis obras
em meu próprio país.
Focus 8 -
Em 2002,
após passar por algumas
capitais da América do Sul, a primeira apresentação aqui seria na cidade do Rio
de Janeiro – naquela época eu morava em São Paulo, um pouco mais de 400 km de
distância do Rio. O show do Focus seria parte do Festival “Rio Art Rock
Festival”. E, por divulgar o evento no Site, eu fui convidado pela produção do
festival para assistir à apresentação do Focus, com direito a sentar na primeira
mesa em frente ao palco.
Logicamente, antes do show, eu já havia encontrado a
banda no hotel onde ela se hospedava. Acompanhei a banda em vários eventos no Rio e em São Paulo entre 2002 e
2003, com aquela mesma formação.

Focus in Family - Ainda em 2002 tive
a oportunidade de presentear o Thijs Van Leer com uma pintura que fiz baseada na
foto de capa de seu álbum solo “Bach for a new age”. Thijs ficou muito feliz em
receber o presente e, em visitas posteriores, contou-me que havia pendurado o
quadro num dos corredores principais de sua casa. Mas, por solicitação de sua
esposa na época, precisou realocar o quadro em outro lugar, pois, segundo ela,
estava ficando cansada de ver seu rosto tantas vezes por dia...

O quadro que pintei de presente para o Thijs
Van Leer que precisou ser removido de lugar
Preciso mencionar aqui outro grande fã brasileiro do
Focus, o meu amigo Altino. Ele, junto de sua esposa e filhos, foi pessoalmente
várias vezes buscar a banda no aeroporto para levá-los ao hotel. Recepcionaram a
banda e os fãs para vários encontros memoráveis também. Criaram camisetas com a
frase “Focus in Family”, que Thijs usou em vários shows pelo mundo, gerando uma
curiosidade: o que seria “Focus in Family”? Agora essa dúvida está respondida!

Thijs Van Leer e a Focus Family, na Kiss FM -
São Paulo, 09 de Maio de 2005
Você disse “Thijs Van Leer”? - Era de
se notar como eu estava entusiasmado por esta volta do Focus e pelas excursões
da banda em meu país. Consegui contagiar até minha própria mãe, que quis
conhecer as músicas e até decorou os nomes dos músicos.
Num certo dia, ela, conversando com sua prima, relatou
as minhas idas e vindas junto à banda, o Focus, e tudo aquilo. Quando minha mãe
tocou no nome de Thijs Van Leer, sua prima fez cara de surpresa e perguntou:
“Você disse Thijs Van Leer?”. Acontece que o marido dela trabalhava na Philips,
e os dois moraram por alguns anos na Holanda, nos anos 70, onde ele foi
transferido para trabalhar na matriz da empresa.
Este nosso primo tinha o gosto musical muito parecido
com o do meu pai (como eu contei na primeira parte deste texto). Ou seja,
basicamente ouvia música brasileira e música clássica. Então, quando minha mãe
falava do Focus, provavelmente sua prima não tinha nenhuma referência, mas,
quando falou em Thijs Van Leer, depois do espanto, ela completou: “Nós temos um
LP do Thijs Van Leer! Fale para o Rodrigo que vou guardar este álbum para ele!”.
Provavelmente este LP era um da série “Introspection”.
Infelizmente ainda não calhou de eu ser presenteado
com este LP, se é que ele ainda existe. Mas, se você estiver lendo isto, Silvia
(sim, este é o nome de nossa prima, apenas por coincidência, o mesmo nome de um
dos maiores sucessos do Focus), pode manter este LP guardado para mim!

Silvia e Thijs Van Leer
Tom Jobam? - Em março de 2003, um dia
antes da apresentação do Focus em minha cidade, São Paulo, eu e outros fãs
encontramos o Focus no hotel em que estavam hospedados. Thijs disse-nos que
gostaria de assistir a uma apresentação que ele acreditava ser uma homenagem ao
maestro Tom Jobim. Então fomos ao Sesc Pompeia, uma espécie de centro cultural
na cidade, com restaurante, escolas de arte e teatro. O restante da banda
permaneceu no hotel; apenas Thijs e o baterista Bert vieram conosco.
Durante a apresentação, Thijs não reconheceu nenhuma
das composições. Mais tarde descobrimos que o espetáculo era uma homenagem ao
maestro Jobam — João Batista Martins, que havia falecido um ano antes — e não
Tom Jobim — um engano na leitura, mas que acabou não sendo ruim, pois Thijs e
Bert gostaram muito do show, baseado na música instrumental brasileira e com
diversos artistas convidados, como Banda Mantiqueira, Bocato, Alex Bessa,
Silvinho Mazuca, entre outros, todos músicos de primeira linha.
Após a apresentação, fomos aos bastidores conversar
com os músicos. Eles então nos convidaram para acompanhá-los a um bar de jazz
que existia na época, chamado Garoa, localizado num imóvel na zona sul da
cidade, com um pequeno palco e decoração inspirada em capas de discos de jazz.
Depois de comermos e bebermos, Thijs pediu um
microfone e começou a cantar com os músicos, em uma bela improvisação. Um dos
artistas presentes, Michel Freidenson, disse que adorava a música Focus V e
contou a Thijs que ela havia sido a "trilha sonora" de seu casamento. Então
Thijs a tocou para todos nós. Michel entrou em êxtase!
No palco havia um contrabaixo acústico, que pertencia
ao saudoso músico americano Pete Woolley, e com este instrumento nosso amigo
Elias Frederico, grande fã do Focus, realizou o sonho de sua vida: tocar com Van
Leer! Depois desta noite, Freidenson e Van Leer ficaram muito amigos, resultando
em outro acontecimento que descrevo mais adiante neste texto.

A noite mágica no Bar Garoa em 13 de Março de 2003 - Da
esquerda para a direita: Michel Freidenson, Thijs Van Leer, Silvinho Mazuca,
Pete Woolley (in memoriam), Walmir Gil, Nailor Azevedo, Bert Smaak, Fabio Sales
e Elias Frederico.
Barbecue-Session - Em 2005, junto a
uma legião de fãs, organizamos um enorme churrasco com o Focus, na residência do
Elias Frederico, com direito a Jam-Session com amigos. Estavam presentes músicos
do mais alto nível, como Michel Freidenson e Nuno Mindelis – este último
premiado em 1998 como melhor guitarrista de blues do mundo pela Revista Guitar
Player.
A partir daí, o Focus veio regularmente ao Brasil; me
recordo dos shows em 2010, 2012, 2014, 2017. Sempre que vinham, eu e outros fãs
nos reuníamos com a banda. Foram sempre momentos mágicos, numa atmosfera de
muita amizade, com tudo sempre girando ao redor da música.

Churrasco e Jam-Session com os fãs em São
Paulo, 28 de maio de 2005. Da esquerda para a direita: Nuno Mindelis, Michel
Freidenson, Elias Frederico e Bobby Jacobs
NOSSO MAIOR ERRO
Perguntei ao Thijs, em meu primeiro encontro com ele,
o porquê da banda nunca ter se apresentado por aqui nos anos 70, e ele me
respondeu: “— Esse foi nosso maior erro”. Ao que tudo indica, erro este que ele
tentou corrigir, tendo em vista as inúmeras apresentações que o Focus fez em
terras brasileiras nos anos que se seguiram.

Uma prova disto foi a enorme colaboração com músicos
brasileiros. O fato de Jan Dumée já ter vivido uma época no Brasil e falar
português ajudou muito. O ponto alto de toda esta interação talvez tenha sido o
lançamento do álbum 'Focus 8.5 – Beyond the horizon' ou simplesmente
'Focus And
friends', em 2016. Neste álbum, a parceria de músicos dos 2 países,
Holanda/Brasil, resultou numa obra de estilo Jazz/Fusion/World Music, e contou
com a produção do músico Márvio Ciribelli. Vale a menção de que Márvio tem uma
irmã, Milena, que ficou famosa no Brasil como apresentadora de programas
esportivos e é muito fã do Focus.

Milena e o desenho que ganhou de Thijs Van
Leer - São Paulo, 16 de Setembro de 2017
Mares do Norte - Michel Freidenson,
outro músico brasileiro com carreira internacional, relata que, em 2004, após
sua apresentação no North Sea Jazz Festival, onde foi uma das atrações com a sua
banda Michel Freidenson Jazz Quartet, telefonou para Thijs Van Leer perguntando
se poderia visitá-lo em sua casa na Holanda. Thijs respondeu que poderia
recebê-lo por uma meia-hora, mais ou menos. A visita acabou durando o dia
inteiro, com direito a uma jam-session particular entre os 2 músicos.
Infelizmente, isto não foi gravado em vídeo, para tristeza de nós, fãs!

Michel Freidenson visita Thijs Van Leer em sua
casa na Holanda em julho de 2004
Mares do Sul - Não posso deixar de citar um fato que marcou a passagem
do Focus por aqui em 2005. Foram as viagens que os fãs fizeram com a Banda para a
cidade litorânea de Ubatuba, no litoral norte do estado de São Paulo.
Felizmente eu fui convidado para participar de uma destas visitas. Ubatuba é um lugar
paradisíaco, com mais de 90 praias, cada uma mais bonita que a outra. Thijs Van
Leer simplesmente amou o local, e pediu para voltar. Bobby também ficou
impressionado pela beleza, e nomeou de 'Sylvia’s Stepson - Ubatuba' uma das
músicas do próximo álbum que viria, o Focus 9 New Skin.

Bobby Jacobs, Geert e Thijs Van Leer em
Ubatuba
CONCLUSÃO
Desde o início da internet e por longos anos, um website era um produto para ser
visualizado numa tela de computador. Pode-se dizer que, durante este período
todo, eles perderam um pouco do glamour e impacto que tinham há 30 ou 20 anos.
Hoje a banda tem o seu próprio website. Ok, as redes sociais vieram e tomaram
conta de quase tudo, conquistaram a atenção e mudaram os hábitos das pessoas,
assim como os smartphones. Todo conteúdo que existia nos sites teve que se
adaptar a esta mudança.
É claro que o Focus também está presente nas novas
mídias – redes sociais, streamings, etc., mais vivo do que nunca, angariando e
sendo divulgado por novos fãs, que talvez ainda nem eram nascidos em 5 de
novembro de 1996, quando a primeira página HTML do Site do Focus foi acessada no
Geocities. É o caso de Elias Veine Viig, da Noruega – talvez o maior fã do Focus
da nova geração.
Focus at Rainbow or Focus at Youtube?
- Hoje também, por meio do YouTube, qualquer um pode
ouvir qualquer canção da banda ou assistir ao outrora raríssimo show “Focus Live
At Rainbow”, motivo de eu ter recebido tantos e-mails no passado de fãs loucos
para conseguirem uma cópia desta fita VHS. Por incrível que pareça, a única
cópia deste show que ficou disponível por vários anos era uma gravação de um
programa dos anos 70 da TV brasileira, “Rock Concert”. Hoje este show e muitos
outros já estão disponíveis em lançamentos oficiais.
Portanto, a principal função do Site do Focus hoje é
concentrar em um único local o máximo de informações sobre a banda e tudo
relativo a ela. Informações que foram coletadas por longas 3 décadas e que
vieram de todos os cantos do planeta. Mais informação até do que podemos
encontrar na própria Wikipédia.

Durante anos todo fã do Focus procurava pela gravação em video
desta famosa apresentação
Moving waves - Durante estas 3
décadas em que o site está no ar, muita coisa aconteceu na vida de todo mundo, e
também com o Focus. A parte triste fica por conta das passagens do fã Tim Baugh,
dos músicos Bert Ruiter e Hans Cleuver, e do empresário (e músico também) Willem
Hubers, todos tão importantes nesta trajetória. As formações mudaram. Pierre Van
der Linden entrou; Jacobs e Dumée saíram. Menno e Udo vieram somar forças e
contribuir para que a obra do Focus continue sendo apreciada mundo afora.
No momento estou feliz em saber que o Focus está a
todo vapor, realizando shows na Europa em pleno ano de 2026 – exatos 30 anos
desde o início de meu site. Isto pode ser conferido numa sessão específica do
site, Live Records Known To Exist (LRKTE), onde listo todas as apresentações
conhecidas que tenham sido registradas por algum fã da banda pelo mundo.
Fazendo história - Há poucos dias,
assistindo ao canal History, vejo um documentário sobre o início dos sites da
Amazon e do eBay nos anos 90, e penso comigo: “Eu vivi isto também!” E agora
assisto da poltrona de casa a história da qual participei. Viajo nos pensamentos
e imagino que talvez o canal History faça um especial sobre o nascimento do
maior site do mundo sobre o Focus. Mas não, acho que não, estou delirando...

Ter vivido aquela época mágica do início da Internet e
ter interagido da melhor forma, que foi colaborando com a construção de um site
para divulgar artistas dos quais eu sempre fui fã, foi um motivo de grande
satisfação pessoal, e penso eu, analisando as coisas boas que aconteceram em
minha vida, que esta foi certamente uma das melhores.
Ao infinito e além! - Comento com
minha esposa que comecei a escrever um texto para celebrar os 30 anos do site, e
de repente percebi que já havia escrito mais de 15 páginas. Então ela me
perguntou quem ia ler tudo isto. Eu respondi que ninguém leria isto. Era só para
eu nunca esquecer de tudo de bom que aconteceu!

E aqui, em frente à tela do computador onde digito
estas linhas, faço votos de que tudo isto dure por pelo menos mais 30 anos!
Meu muito obrigado a todos que fizeram parte desta história. Vejo vocês on-line.
Um grande abraço,
Rodrigo Mantovani
Webmaster da Focus Tribute Homepage
rodrigo.mantovani@gmail.com
mpq.com.br/focus
Julho de 2026.
AGRADECIMENTOS:
Peet Johnson, Elias Frederico, Michel Freidenson,
Altino José Paulo, Simone LM, Luciano SP, Ricardo Orsi, Tim Baugh (In memoriam),
Alex Fejes Neto (In memoriam), Valdir Montanari, William 'Uncle Bil' da
Quadrophenia Discos (Galeria do Rock, São Paulo).
Imagens neste texto: Arquivos do autor, Chat GPT, Dola IA.
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