McLAUGHLIN: O "DEUS" É UM CARA SIMPLES

 

John McLaughlinAntes que ele chegasse a São Paulo, muito se falava sobre John McLaughlin, o "deus" da guitarra. Esperava-se um superstar, cheio de manias e lances de estrelismo. Quando ele desceu as escadas do Hotel Eldorado Higienópolis e, vestido com discreta elegância, sentou-se à mesa, ao lado da piscina, para conceder sua entrevista à imprensa, a expectativa desvaneceu-se. Nada de estrelismo, nada de superstar - "deus" é um cara simples, que ouve atentamente cada pergunta, pensa bastante antes de responder, expõe com muita calma suas dúvidas. Enfim, John McLaughlin mede muito bem tudo o que diz. E da mesma forma, mede muito bem tudo o que faz.

 

Sereno, ele explica que procura se manter, acima de tudo, numa atitude profissional. Um profissionalisrno que cultiva desde o começo de sua carreira, ainda em Londres, quando distribuía cartões de apresentação aos músicos com quem tocava: "No cartão, constavam meu nome e minha profissão: "guitarrista elétrico". Um dos líderes do chamado jazz-rock, pioneiro na fusão de formas musicais orientais com ocidentais, McLaughlin desvia cuidadosamente o assunto quando se pede para que ele fale das crenças religiosas orientais, que têm reconhecida influência em sua música: "Meu Deus é uma coisa muito simples, que eu levaria horas para explicar. Terei o maior prazer em fazé-lo, mas quando estivermos falando sobre Ele..."

 

E o papo volta ao ponto de partida: a música. McLaughlin conta que estudou piano desde a infância, mas um ouvido estava sempre grudado na guitarra do irmão mais velho. Ao mesmo tempo, deixava-se influenciar pelos melhores músicos de blues: "Muddy Waters e Big Bill Broqnzy eram os meus preferidos. Até que ouvi Django Reinhardt, que me impressionou pela imaginação que usava ao tocar guitarra e pela integração que tinha com o violinista". Foi certamente por isso que McLaughlin incluiu violino em todas as bandas que formou até agora. Sua ligação mais segura com o jazz deu-se quando conheceu Miles Davis, a quem acompanhou em muitos shows e gravações. Convidado por Miles a juntar-se à sua banda, McLaughlin recusou. Preferiu desenvolver seu próprio trabalho, que inclui a legendária Mahavishnu Orchestra: "Foi a partir daí que meu interior foi crescendo. E minhas manifestações exteriores também".

 

(Texto de Almir Nahas)

 

Artigos e fotos extraidos da Revista POP Nº 73, novembro de 1978.
 


Informação Adicional:

O nome do grupo que acompanhou Mclaughlin auto denominavasse ONE TRUTH BAND que contou com a seguinte formação:

  • FERNANDO SAUNDERS: fretless bass
  • TONY SMITH: drums
  • STU GOLDBERG: keyboards
  • LA SHANKAR: violin
  • MCLAUGHLIN: guitar GIBSON ES-345

    Tony Smith participou dos seguintes discos de Mclaughlin: 'Electric Guitarrist' e 'Electric Dreams' e atualmente faz parte do grupo do cantor e compositor Lou Reed, ex-integrante do grupo VELVET UNDERGROUND. Fernando Saunders também toca na banda de Lou Reed.

    Texto enviado por Mauro Brandão Wermelinger.

     

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    Página produzida por Rodrigo Mantovani - 1999.

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