A música de Djalma Correa já foi dividida com grandes nomes
como Patrick Moraz, Stênio Mendes e muitos outros. Uma formação de percussão que
Djalma destaca é a que aconteceu no 1º. Festival de jazz Montreaux de São Paulo
com 1 pianista e 18 percussionistas. Foi a primeira vez que se juntaram sons do
piano e da percussão. Brinca dizendo: "- Pela primeira vez eu trouxe a cozinha
para a sala"
Na sala "L" do Palácio das Convenções do Anhembi, durante o
festival de jazz, funcionava o chamado "bar dos artistas" - era aí que eles se
encontravam para tomar um traguinho entre um show e outro. E foi aí que consegui
levar um papo com o percussionista Djalma Correa, lata de cerveja na mão, um dia
antes de sua apresentação. Perguntei-lhe sobre seu trabalho e ele foi direto ao
assunto: "Não tô fazendo nada de novo. Apenas faço a minha parte: batalho para
ver a percussão valorizada, mas só pelos meios musicais, mas também e
principalmente pelo público".
Talvez não fosse nada de novo mesmo. Mas foi um grande impacto a entrada do grupo de Djalma em cena: ele, 18 outros percussionistas e o tecladista Patrick Moraz - e só! "Essa apresentação com o Patrick segue mais ou menos a linha do que eu venho desenvolvendo, e que eu pude mostrar de uma forma muito ampla durante o festival de Montreux." Lá, Djalma tocou com Gilberto Gil e A Cor do Som na noite do Viva Brasil - e a partir daí esteve presente em quase todas as jam-sessions, E foi ainda lá que ele deu uma bela demonstração de seu senso profissional: quando Gil abriu o show, pediu a Djalma que batesse no atabaque o ponto de Oxalá, para chamar bons fluidos para o show. Ora, um ponto de Oxalá, do ponto de vista religioso, exige a participação de quatro percussionistas.
E Djalma, como estava sozinho, tratou de se desdobrar, batendo em quatro atabaques diferentes. para atender ao pedido de Gil. Uma tarefa difícil? Não para Djalma Correa: "Não acho que seja difícil ser um percussionista, porque a percussão é a característica mais marcante da música brasileira em todos os tempos. E eu sou um músico do Brasil. Marcado pela própria natureza, o que eu tenho a fazer é desenvolver isso, receber e dar influências. Não para perder a minha nacionalidade, porque isso é meio impossível, mas para ganhar uma universalidade".
Para a apresentação do festival em São Paulo, Djalma
reuniu os 18 percussionistas e, é claro, submeteu-os a alguns arranjos
preestabelecidos. "Mas todo mundo pode se movimentar à vontade dentro dos
arranjos. Então, você vai dizer que seria muito mais simples eu usar um ou dois
instrumentistas ... É verdade. Com esse bando de gente no palco, tenho que ter
muita percepção, estar com o ouvido muito atento para que tudo funcione
direitinho. É um desafio que me propus." Mas ninguém pense que Djalma Correa
montou esse esquema todo, ao lado do consagrado tecladista Patrick Moraz, apenas
para mostrar que é capaz de "reger" uma banda só de percussão. Nada disso: "Meu
recado - e espero que as pessoas o entendam - é no sentido de dar uma
valorização à sonoridade da cozinha. É uma coisa que parece muito simples, mas
que dá um trabalho danado: trazer a cozinha para a sala de visitas". (Texto de Almir Nahas)
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Página produzida por Rodrigo Mantovani - 1999.
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