Quem
conhece o LP Twin House, primeiro disco da dupla Larry Coryell/Philip Catherine, sabe
que poucas vezes o mundo do jazz assistiu a um "casamento" artístico tão perfeito. E, se o dito popular "os opostos se atraem"
também é válido para os casamentos artísticos, eis aí a explicação para o brilhante trabalho que esses dois garotões guitarristas vêm
desenvolvendo nos últimos tempos. Larry Coryell é texano mas sempre morou em Nova Iorque. Philip Catherine é inglês, de
família e educação belgas. Larry é um representante típico do jazz urbano da east coast dos EUA. Philip faz o modelo jazz de
vanguarda europeu, ultimamente com grande influência dos experimentalistas alemães. Larry é observador, atento e faz o
gênero superstar. Philip é contemplativo, bon vivant e faz o gênero diplomata.
Do encontro dessas duas personagens antagônicas, no festival de Montreux de 1975, surgiu uma das duplas mais vigorosas do jazz atual. Tão grande foi o sucesso de Twin House - e tamanha a satisfação que ele trouxe a Coryell e Catherine - que a dupla logo tratou de continuar o trabalho através de dois novos LPs. O primeiro chama-se Splendid, é gravado em estúdio e representa uma continuação natural do trabalho iniciado em Twin House. O "segundo novo LP" da dupla foi gravado ao vivo na Alemanha, num concerto já considerado "clássico" pelos fãs da dupla. Segundo declarações de Larry Coryell, foi de longe a melhor apresentação que ambos já fizeram, e ela por sorte foi gravada na íntegra.
Nos bastidores do Festival de Jazz de São Paulo, Coryell explicou aos repórteres os motivos do sucesso de
seu casamento artístico: "Eu e Philip entendemos a música de maneira completamente diferente um do outro. Nossas visões e
interpretações são sempre opostas. Por isso mesmo, acho, estamos sempre ensinando alguma coisa um ao outro. O Philip
colabora com toda aquela complicação cerebral do jazz europeu, e eu mostro a ele como é o blues das grandes cidades americanas.
Assim, depois de brigar muito, sempre armados de violões e guitarras, acabamos criando boa música. E o público, que não é tolo
nem nada, está compreendendo nosso trabalho. De minha parte, confesso que nem o Eleventh House nem o grupo de Miles Davis
me trouxeram tanta satisfação pessoal e profissional quanto esses três LPs com Philip Catherine. Se foi amor à primeira vista?
Bem, prefiro dizer que foi uma paíxão fulminante ao primeiro acorde... "
(Okky de Souza)
Artigos e fotos extraidos da Revista POP Nº 73, novembro de 1978.
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